Publicado em Cultura, Tecnologia

A Mulher que levou “o Homem” pra Lua

20 de julho de 1969, às 20h18 UTC, “o Homem” chegou à Lua. Quando a gente lê ou escuta isso sabe que “o Homem” não se refere ao fato de Neil Armstrong, um homem, ter sido o primeiro humano que pus o pé no chão do nosso satélite natural, e sim porque todo grande feito da humanidade tem sido associado ao gênero masculino.

Nessa a nossa área de TI as coisas também não são muito diferentes. Os ícones da cultura geek, “os caras”, são caras: Bill Gates, Steve Jobs, Linus Torvalds, etc. Nem parece que “o pai” da informática foi uma mulher: Ada Lovelace, a genial matemática e escritora que no século XIX ajudou a criar o primeiro computador, a máquina analítica de Charles Babbage, e escreveu o primeiro programa de computador da história.

As ideias sobre o papel social que cada gênero ocupa são formadas nos primeiros anos de vida, os especialistas dizem que entre os 5 e 7 anos. Bem na idade em que os pais e a família começa a presentear as meninas de bonecas, casinhas, pequenas cozinhas, elementos de limpeza ou beleza; e aos meninos com jogos de construção, armas, carrinhos e naves espaciais.  O mundo tem uma ordem “natural” e a “cultura” (as pessoas que aderem acriticamente a ela) se ocupa de que cada individuo ocupe o seu lugar: os meninos astronautas, hackers, engenheiros e militares; as meninas professoras, médicas, designers.

Margaret Hamilton não viu nada de “natural” nisso e teve a coragem de não aceitar e desafiar essa “cultura” toda. E se deu bem. Margaret liderou o time da NASA que escreveu o código pra navegação e aterrizagem da cápsula do Apolo 11 que levou “o Homem” pra Lua no início da década de ’60; ajudou a criar o conceito de engenharia de software quando toda essa revolução das tecnologias da informação estava começando e as coisas ainda não tinham sido nomeadas nem muito menos, conceitualizadas; desenvolveu uma bem sucedida carreira acadêmica no MIT; e no final dos ’70 criou a sua própria empresa de desenvolvimento de software. Alguns dos conceitos desenvolvidos por Margaret, aplicados ao software do computador do Apolo 11, permitiu que a missão não fosse abortada três minutos antes da aterrizagem quando um dos subsistemas falhou.

Em TI, como em muitas outras áreas, precisamos recriar uma cultura mais amigável com mulheres e outros grupos que tem sido relegados a um segundo plano. Não é justo esperar elas se adaptarem as regras dos “machos”. Nem todas elas vão querer ou conseguir fazê-lo, e não tem porquê. As profissões não são propriedade de um gênero, elas são áreas de atuação humana e como tal, a sua cultura deve incluir a todos. Os “machos” vão ter que mudar ou cair fora.

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