Publicado em Progamação, Python, Tecnologia

Python: A Boa Constritora de Códigos

Linguagens de programação não é o que falta nesse mundo. As vezes até parece que tem tantas linguagens quanto programadores, lembrando um pouco aquela história bíblica de Babel. Programadores, ainda que nem sempre isso seja evidente, somos seres humanos. E seres humanos gostam diferenciar-se uns dos outros, tipo: corinthianos e palmeirenses; argentinos e brasileiros; os que vão a misa aos sábados ou aos domingos; adoradores da churrasqueira e veganos; etc. Nesse nosso mundinho tem briga acirrada entre os caras do C++ e o Java; entre os que indentam e os que não; os que compilam e os que interpretam; os que botam curly braces (chaves) logo depois do while ou na linha que segue; tem até a torcida organizada do Vim e a do Emac. Você acredita?

A verdade, é que se existem tantas linguagens, tecnologias e metodologias, é porque antes delas existia uma necessidade que as outras não satisfaziam plenamente. Cada uma delas foi tentar atender essa necessidade. Ergo, ficar discutindo qual é a melhor de todas não faz muito sentido. O que é melhor, a marreta ou a Makita? A Ferrari ou o camelo? Bom, depende.

O Python é mais uma nessa miríada de linguagens disponíveis na caixa de ferramentas do programador (e não só deles). Ela nasceu lá no final da década dos ’80 e foi criada pelo holandês Guido van Rossum.

“Faz uns seis anos, em Dezembro de 1989, eu estava procurando um projeto de programação como “hobby” que me mantivesse ocupado durante a semana de Natal. Meu escritório ia estar fechado, mas eu tinha um computador em casa e não muita coisa pra se fazer. Então, eu decidi escrever um interpretador para uma nova linguagem de script.”

Que raiva… Assim, com essa facilidade que os caras mudam o mundo…

Hoje, o “hobby” do Guido, está na base, por exemplo, do Dropbox, Pinterest, Youtube, Quora, OS scripting (Ubuntu), Sublime Text, Blender 3D scripting, Django, e uma presença muito forte em aplicações científicas (NASA), entre outras.

Por que essas empresas e projetos citados optaram pelo Python? Qual a necessidade que o Python veio preencher? Basicamente, a de uma linguagem multipropósito, ágil, que permitisse expressar de forma rápida e clara as ideias em curso. O argumento que dá sentido ao Python é o fato de que o programador passa 80% (as vezes mais) do seu tempo lendo código, mas do que escrevendo código. Lendo código de outros programadores, seja porque trabalha em um time, seja porque precisa reutilizar ou concertar código preexistente; ou lendo o próprio código (aquele que escreveu faz tempo ou aquele que está em processo). Para isso, Python oferece uma sintaxe natural, limpa e simples; obriga o uso correto da indentação; e estimula entre seus usuários uma série de convenções e práticas de estilo que apontam no sentido de facilitar a leitura:

“O Zen do Python, por Tim Peters

Bonito é melhor que feio.
Explícito é melhor que implícito.
Simples é melhor que complexo.
Complexo é melhor que complicado.
Linear é melhor do que aninhado.
Esparso é melhor que denso.
Legibilidade conta.
…”

Outro ponto a favor do Python (dependendo do contexto, claro) é que ele não força você a escolher um determinado paradigma de programação. Programação Orientada a Objetos e Programação Estruturada são plenamente suportadas, e também pode ser implementadas várias caraterísticas da Programação Funcional. Outras importantes são: os tipos dinâmicos, gestão de memória (garbage collector), interprete interativo, uso de lambdas, list comprehensions, etc.

Uma forma de você visualizar as possibilidades e o estilo do Python é a través de alguns simples exemplos:

“Hello World” em Java:

public class HelloWorld {
    public static void main(String[] args) {
        System.out.println("Hello, World!") ;
    }
}

“Hello World” em Python:

print("Hello, World!")

Intercambiar o valor de duas variáveis:

C/C++

tmp = a ;
a = b ;
b = tmp ;

Python

a, b = b, a

O Python é a solução universal para todos os problemas de cômputo? Não, claro que não! Ele é uma Makita, mas, as vezes, você vai precisar de uma marreta.

Essa história continua!

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