Publicado em Terminal, Ubuntu

Introdução ao terminal – Linux para lagartos

O nosso cérebro, assim como o do resto dos mamíferos, evoluiu dos repteis. O cérebro reptiliano adaptou-se ao reconhecimento rápido de padrões visuais para detectar a comida e o perigo. Ao contrario, os primeiros mamíferos, minúsculos ratinhos num mundo dominado pelos sauros gigantes, desenvolveram no escuro das tocas e aos pés das florestas, sofisticados sentidos de olfato e audição, dependendo disso para sua supervivência. Essa estrategia resultou num cérebro menos “automático” e mais inteligente. Mas, a evolução, assim como a Programação Orientada a Objetos, não gosta de “reinventar a roda” a cada vez. O nosso cérebro, ainda conserva nas camadas mais internas, o velho e olhudo lagarto. Isso explica o êxito da TV, o cinema e o Youtube, por exemplo; e provavelmente, o porquê de alguns usuários ter tamanha adversão por prescindir da interface gráfica do computador, ainda que por pouco tempo.

O lado escuro da Lua

O computador nasceu sem interface nenhuma. O operador, normalmente um engenheiro ou matemático, precisava conectar manualmente dezenas ou centenas de fios elétricos para alterar o fluxo do processamento dos dados. Hoje, felizmente, contamos com bonitas e funcionais GUIs (Graphical User Interface) para cada um dos sistemas operacionais mais populares. Mas, assim como o nosso cérebro conserva os vestígios filogenéticos do processo evolutivo, por trás das janelas, botões, menus e ícones, subjaze a interface de usuário em modo texto, ou CLI (Command-Line Interface).

No Linux, especificamente, no Ubuntu Linux, acessamos o modo texto pelo emulador de terminal pressionando Ctrl+Alt+T ou procurando “terminal” no dash:

Terminal_002

Praticamente tudo quanto pode ser feito na interface gráfica, também poderá ser feito em modo texto. É claro que, cada interface resultará mais eficiente para completar algumas tarefas do que outras. Poder se teletransportar entre esses dois universos traz o melhor de cada.

Pelos poderes de Grayskull!

A primeira coisa que nós vemos quando acessamos o terminal é o prompt. Ele, por defeto (já que pode ser customizado), informa o nome do usuário que está logado, o nome da máquina que o terminal está operando, e a posição na árvore do sistema de arquivos em que nós atualmente estamos situados. E mais importante ainda, ele está nos dizendo que o sistema está pronto para receber as nossas ordens.

Só pra sentir o gostinho, uma das tarefas que nós podemos realizar rápida e eficientemente no terminal é a atualização do sistema (Update). Nas derivadas do Debian, como é o caso do Ubuntu, os pacotes de software são administrados pelo apt-get, uma ferramenta de linha de comandos que permite instalar, listar, atualizar ou remover pacotes (aplicativos, arquivos do sistema, livrarias, etc.) Os aplicativos como o Synaptic ou o Software & Updates não são outra coisa mais do que front-ends (interface entre o usuário e o que está por trás). Quem realmente faz o trabalho no back-end é o apt-get.

~$ sudo apt-get update && sudo apt-get dist-upgrade

sudo

O Linux implementa mecanismos de seguridade bem estritos, entre eles a possibilidade de distribuir privilégios entre os usuários de um determinado dispositivo. Como na vida real, alguns podem tudo, outros algumas coisas específicas, e o resto nada ou quase nada. Para atualizar nós precisamos poder tudo. A primeira palavra, o sudo, declara que nós temos os privilégios de administrador (root) do sistema.

apt-get update

A segunda parte (apt-get update) atualiza a informação dos repositórios da distro e determina quais pacotes têm uma versão mais atualizada. Não só os pacotes do sistema operacional, senão que todos eles. O Linux inventou a Apple Store e a Play Store, muito, mas muito tempo antes que a Apple e a Google. Quase todos os pacotes disponíveis para uma distribuição Linux estão na nuvem, distribuídos em diversos servidores pelo mundo inteiro e organizados em repositórios. O seu sistema Linux está conectado com eles de forma automática e assim você pode acessá-los com apenas uma linha de comando. Não precisa fuçar a Internet toda para achar um aplicativo, é só saber o nome e instalá-lo, ou atualizá-lo, pelo apt-get.

&&

&& permite concatenar duas ordens numa linha só. Também poderíamos ter introduzido uma por vez:

~$ sudo apt-get update
~$ sudo apt-get dist-upgrade

apt-get dist-upgrade

E por último, apt-get dist-upgrade, após confirmação, vai atualizar tudo aquilo que for necessário. No processo, vamos ser consultados se queremos continuar y, si for o caso, informados de qualquer erro que acontecer.

Assim, temos iniciado uma série de artigos no intuito de contribuir à familiarização com os comando do terminal Linux. Até a próxima!

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